Definitivamente, não é uma coisa boa.
E olha que eu nem penso
tanto nos casos difíceis, ou com evolução não favorável.
Na verdade, eu criei um pensamento de defesa que funciona assim:
Por exemplo, no início quando estava trabalhando e via uma gestante com gestação anembrionada (quando não forma o embrião ), ou em processo de abortamento, eu pensava "fora a medicina quantas pessoas eu conheço que já passaram por isso?" Anembrionada, não tenho ninguém para citar. Abortamento , pouquíssimos casos. Aí eu tirava, ou pelo menos tentava , o pensamento da cabeça. Bem assim, rapidinho.
Outro fator, é que eu realmente acredito, que em alguns momentos não temos nenhum controle de nada, e um destes momentos é a gravidez. Aliás, será que a gente em algum momento, tem algum controle, seja lá do que for? Sei não, viu?
Bom,na verdade o que mais me dificulta em ser médica e gestante, é que eu julgo tudo ao meu redor.
Tudo e todos. Qualquer entonação da minha médica eu já julgo. Até porque ela já era minha ginecologista, então temos uma intimidade.E devo ressaltar, ela é muito boa na sua especialidade.
Mas, e como obstetra, é boa? Porque gente, vocês sabem, NÃO é a mesma coisa.
Eu , as vezes, me pego querendo que ela advinhe meu pensamento. Que faça como eu faria.#alouca
Vou dar exemplos: eu não valorizo a medida da translucência nucal. Quando uma paciente traz um resultado alterado, eu explico calmamente, que este valor é jogado numa tabela e é uma probabilidade. Só isso.
Até porque, já vi caso normal que o bebê teve alteração depois, e vice- versa.
E, aqui entre nós, se confirmar qualquer alteração ou mal formação, vai fazer o quê?
Descartar? Devolver para fábrica?
Então funciona assim: eu exponho as possibilidades. Se ela quiser qualquer investigação invasiva para definir a presença ou não de qualquer alteração, ela fará. Mas, por mim, não será estimulada.
Eu, particularmente, não faria nada. Aguardaria o morfológico de segundo trimestre.
Desde o início da minha gravidez, já tinha isso bem claro.
E apesar da minha medida de TN ter sido normal, não sei se pela minha idade ou se por eu ser "colega ", ela me falou sobre um procedimento invasivo ( amniocentese).
Eu gelei! Choquei! Por mais que exista alguma evidência científica, eu nunca indicaria a uma gestante que fosse "tipo eu".
E ainda, depois do meu não, propôs conversarmos com marido, que não estava na consulta.
Aí eu já fui taxativa: NÃO. A decisão é minha. Marido, sorry, mas você não tem nada com isso.
PS1: Prestem atenção tudo aqui é minha opinião de medica e grávida.
Inclusive tenho várias colegas e amigas que discordariam.
Eu mesma já pensei diferente.
PS2: Estou em processo de análise sobre quem fará meu parto.
Leiam
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